DESAFIO CASA SUSTENTAVEL CASACOR 2018 

O PROJETO
 

Pela importância histórica do bem tombado nos pareceu mais que necessário preservar o máximo possível o local da instalação da casa sustentável, logo na entrada oferecemos a proposta de acessibilidade, elevando todo o piso do entorno da edificação, construindo uma rampa para incentivar e manter esse espirito de acolhimento à sociedade, de igualdade, nivelada. A sustentabilidade não se resume apenas em materialidade, técnicas construtivas, reciclagens e meio ambiente, Existe a parte social que forma a sustentabilidade, e é dar acesso e viabilizar melhores condições sociais e qualidade de vida. Achamos interessante preservar a linguagem original da edificação, sua base de pedra que ergue a casa á 80 cm do solo deu partido à linguagem utilizada para erguer essa extensão externa, criando uma varanda, usamos gabião (gaiolas de aço com pedras dentro) esse deck estruturado com piso drenante elevado é preenchido com colunas que sustentam o deck, formando uma cisterna, para a contenção dessa água usamos lona vinílica próprias para criar piscinas e bolsões de agua e armazena-las, deixando estruturas com áreas vazias onde as árvores estão localizadas (ver detalhe 2).

 Toda a estrutura que envolve a casa é de madeira certificada, um dos nossos objetivos é trazer essa informação de que madeira é o material mais sustentável quando usada de forma correta.
Importante ressaltar que toda estrutura externa esta no mínimo a 5 cm de distância da construção tombada, um pequeno detalhe que mostra a importância de respeitar e preservar a história. A estrutura de madeira que compõe a varanda é modulada e fixada apenas no solo, conexões de ferro protegem a madeira da umidade, além de trazer uma suavidade e emoção à estrutura que pousa gentilmente sobre o solo histórico. Totalmente reutilizável em qualquer outra construção, pois seu estado será de ótima preservação (ver detalhe 3). Os poucos fechamento verticais dessa estrutura se da em alguns pontos por vergalhões de ferro, levantando questões sobre funções de materiais básicos, queremos provocar os sentidos dos visitantes em dizer, “O que se usa para a estrutura pode ser um lindo acabamento” ou “As sobras e resíduos de obras podem ser empregados como acabamentos”. 
Na varanda entre as duas edificações, criamos um espaço de contemplação, uma área acolhedora para os visitantes se sentarem. Propomos nesse mesmo espeço que tenha algumas tomadas para uso dos visitantes, essas energia será gerada pelas placas fotovoltaicas, e os visitantes poderão recarregar seus celulares. Ainda sobre interatividade e informação, na televisão da sala um vídeo ficara rodando com imagens e animações para conscientização do público sobre sustentabilidade, a cada animação um “choque de realidade” toma conta dos olhos dos telespectadores, vídeos sobre desmatamento, aquecimento global, poluição, e também informações positivas de como podemos mudar a situação atual do planeta serão passadas com o objetivo de tocar as pessoas. A sustentabilidade tem seu lado social de máxima importância. 
A cobertura da varanda é composta por policarbonato com proteção UV e possui pranchas de compensado naval certificados que atuam como brises e quebram a luz do sol, sombreando e melhorando o conforto térmico. 

Os painéis fotovoltaicos serão instalados sobre o telhado existente, mas não são apoiados diretamente sobre as telhas, criamos um sistema de suporte metálico com cabo que é fixado apenas na estrutura de madeira das varandas que serão efêmeras (ver detalhe 4). A varanda com seu pé direito abaixo do beiral da casa original têm como objetivo de sempre deixar o patrimônio histórico como protagonista.

Local: São Paulo SP
Ano: 2018
Área: 60m²

ESTRATEGIAS BIOCLIMATICAS GERAIS
 

O projeto para o desafio casa sustentável CASACOR foi substanciado em dados climáticos e conforme o zoneamento brasileiro a cidade de São Paulo esta situada na Zona 3. As estratégias adequadas para essa casa são: 
Aberturas para ventilação medianas, Sombrear as aberturas, Paredes pesadas e densas, coberturas leves e/ou isoladas. 
Resfriamento evaporativo e massas térmicas para resfriamento. 

Uma das estratégias que escolhemos foi criar um deck elevado (piso da varanda) criando ao redor da fachada frontal e lateral para atender esse resfriamento evaporativo e servir de reservatório pluvial.  O sistema adotado foi o de piso drenante elevado, é um sistema de piso já conhecido e associado à retenção e drenagem de águas pluviais que funciona como cisterna modulada. Será feita por camadas de diferentes materiais para proteção do piso de pedra mineira existente e do solo. Inicialmente aplica-se uma lona plástica sobre o piso/solo existente, uma camada de 2cm de areia fina ou saibro, uma outra lona plástica para evitar a dispersão do substrato, instalam-se os gabiões para auxiliar a fixação do conjunto, após vem as formas metálicas (locadas), aplicação da lona vinilica, as peças de sustentação dos pisos elevados, e por fim o piso drenante.
O reuso da água pode ser na jardinagem da casa sustentável e para os demais jardins da CASACOR, uma bomba sapo dentro do estanque será responsável pela retirada dessa água. De acordo com o clima local a ventilação deve ser controlável nos períodos mais quentes do ano em que a temperatura interna seja superior à externa, a grande vantagem é que as esquadrias existentes já são reguláveis e com tamanho adequado. O aquecimento solar da edificação se dará por conta das paredes e telhas de barro existentes, a intervenção da instalação proporcionará melhor controle desse calor nos períodos de inverno devido à cobertura de policarbonato transparentes da varanda o sol baixo do inverno passara aquecendo as fachadas.  As vedações internas receberam uma proteção de gesso acartonado que será benéfica tanto para a proteção do imóvel tombado como para o melhor desempenho térmico e acústico interno, lembrando que o sistema de Light steel frame é autoportante e apenas será fixado nele mesmo, deixando as paredes existentes livres de serem danificadas.  

Nossa proposta é um ambiente totalmente aberto, banheira dentro do quarto como um local de total relaxamento, uma cama oriental com o biofuton, ambos os lugares servem para o prazer de um belo momento de calma e paz. Gostamos muito de retratar as materialidades e gostamos de deixar elas presentes em cada sensação e momento, na sala temos outro móvel, mais baixo e linear que conversa e percorre com todos ambientes, pelo fato de ser modulada sua forma segue conforme a função do usuário e espaço.  No teto temos uma sequência de espelhos fixados em um sistema simples e eficiente que se sustenta pelas tesouras da cobertura, sem danifica-las (ver detalhe 7), os espelhos no teto conectam de ponta a ponta o pavilhão, a ideia é que tudo fique realmente integrado, que as pessoas possam se deslocar de um ambiente para outro apenas com o olhar, estando em dois lugares ao mesmo tempo, como universos paralelos. 
Criamos por todo esse cenário um paisagismo interno, do alto das paredes de drywall saem plantas diversas que descem das paredes e interagem com a casa. A natureza interna interagindo de forma diferente com a decoração, com as pessoas, com o mundo contemporâneo. A casa esta viva! 
O sistema de irrigação por gotejamento é controlado e apenas deixa o substrato úmido, tal substrato é relativamente seco, contendo pouca terra e maiores proporções de argila expandida e vermiculita, ficam dentro de canaletas galvanizas “cachepot”. As plantas escolhidas necessitam apenas de umidade, raramente necessitariam de dreno, mas ainda sim colocamos mangueiras em cada canaleta para retirar qualquer excesso de umidade, todo sistema ficará escondido dentro dos drywall.
O banheiro tem uma linguagem mais retro, o teto recebe um forro de madeira negra ripada que vai se declinando até os chuveiros, dando a impressão de ponto de fuga no olhar do visitante. As paredes são revestidas por placas de compensado naval, protegendo as paredes existentes e servindo ao mesmo tempo de material de acabamento. Essas placas recebem pintura impetrável até 1m de altura e o restante continua em madeira natural. O Box é revestido com porcelanatos até o teto. Criamos um móvel para essa instalação da Casacor, um lavatório com o espelho circular com moldura em madeira se solta da estrutura tubular metálica que o fixa no teto, uma iluminação por trás dele em fitas de LED, juntamente com um gabinete rosa envolvido pela estrutura de tubo quadrado que o segura junto ao espelho. Duas duchas saem do teto revestido com espelho, onde o piso também é de espelho, trazendo a sensação de um infinito replicado ao se olhar de cima para baixo, levando ao visitante uma experiência de reflexão e artística. A divisão que separa das duchas do sanitário é feita em divisórias de correr metálicas com vidro canelado, presas ao teto. 
A cozinha vem com o conceito de deixar a mostra tudo, fazendo com que as pessoas pensem no consumismo, prateleiras içadas no teto através de tubos metálicos, apenas um armário suspenso fechado em madeira, a pia em corian branco sustentam um cooktop, e também uma calha úmida horizontal que serve para secar as louças. Durante o evento a ideia de se utilizar alimentos frescos e naturais, deixar a mostra objetos do dia a dia como uma xicara de café fria esquecida em cima da bancada, um simples sapato deixado na posta de entrada fazem com que as pessoas se visualizem em uma casa que é habitada, não se trata apenas de uma amostra ou propostas para o ano de 2018, é muito mais que isso, é nossa constante evolução e nossa maneira de viver que está se modificando, se reinventado, a casa é viva, pois estamos vimos. 

Ao entrar na casa pela sala o visitante vai se deparar com outro tipo de revestimento, pois protegemos as paredes originais com painéis de drywall afastados cerca de 2cm, e serão autoportantes, a fixação será apenas em cada final de parede, unindo as quatro paredes de Light Steel Framing de cada cômodo. Todos os painéis de gesso são tratados com o impermeabilizante e revestidos até a primeira placa de 1.80m de massa em toda a sua superfície com posteriormente uma camada de tinta ecológica, facilitando a manutenção e limpeza. No espaço acima de 1,80 deixamos a estrutura de gesso acantonado aparente, ser sustentável é entender que menos é mais, e que diminuir revestimentos é a melhor forma de minimizar desperdícios (ver detalhe 5).

No piso usamos laminado de madeira flutuante com manta de proteção sobre o original, facilitando a instalação e retirada(ver detalhe 6). No centro da casa o olhar se volta para o cubo multiuso, demos esse nome pela sua forma e função, um móvel que serve tanto como objeto decorativo quanto de elemento que une os espaços propostos, com uso diversificado em seus quatro lados, para o lado da sala temos um painel com televisão e aparador, em suas duas faces laterais temos prateleiras, e a face voltada para o dormitório temos uma porta que dá acesso ao mini closet. Esse Cubo é objeto de marcenaria, assim como os demais móveis em madeira da proposta, serão feitos sob medida e montados dentro da casa.